terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Indagações a uma Porta de Banheiro

Essa crônica é só mais uma prova de como a inspiração vem das coisas mais inusitadas.


Indagações a uma porta de banheiro


"O que leva uma pessoa a escrever nas portas de banheiros públicos?" Esse foi o meu objeto de indagação durante todo o percurso do ônibus 168 de volta para o Cruzeiro.
Tudo por causa de duas escrituras com que me deparei ao entrar na cabine do banheiro da Universidade.
Estava escrito em vermelho:"Salvem a reserva indígena da Terra da Raposa do Sol!"
Bem, nada mais normal para um prédio cujas ciências humanas predominam. Mas não parava por aí.
Logo embaixo havia em azul:
"É SERRA da Raposa do Sol, sua anta!"
Como eu não poderia rir? Só não ri alto porque seria, no mínimo, estranho para quem escutasse.Cheguei a comentar com uma amiga e ela disse que também já havia visto. Ainda falamos daquela frase célebre do banheiro da USP que circulava na internet "Enquanto você está aqui lendo isso, um japonês está estudando."
Agora, não é divertido pensar em uma pessoa entrando no banheiro, sacando a caneta, escrevendo e depois saindo de lá como se nada tivesse acontecido? Achei o máximo e me peguei imaginando a cena como em um filme hollywoodiano. Só não esperava que logo depois algumas questões acerca daquilo surgissem. Como a pessoa reagiu ao ver a resposta que lhe deram? Estaria se sentindo mal ou rindo de si própria? Afinal, o que realmente ela queria demonstrar fazendo aquilo?
Fiquei tentando encontrar uma resposta enquanto fugia do sol naquela cadeira dura. Carência, rebeldia, repressão... Tudo parecia viável. Mas, de repente, surgiu outra pergunta: Por que diabos estava pensando naquilo? E essa me levava à pergunta inicial da crônica. Seria a resposta? Ou não?
Será que uma resposta realmente existe?
Eu fingia olhar para a paisagem do Eixo Monumental, mas a minha cabeça estava em outro lugar pensando naquilo tudo. Foi aí que vi algo escrito no parapeito da janela.
Dizia:
"A vida é bela, não é?"
Abri um sorriso.Era outro anônimo se expressando publicamente. Nunca saberia quem era ele, já que milhares de pessoas circulam naquele ônibus por dia. Mas as perguntas voltaram: Por que ele escrevera aquilo? Estaria ele apaixonado? Não seria interessante se ele se encontrasse com a menina da raposa do sol? Por que não escrevera aquilo na porta do banheiro?
Uma pergunta vai sempre me levar a outra pergunta?
O tempo passou rápido. Quando percebi, minha parada estava chegando. Arrumei a bolsa no ombro, coloquei Weezer nos ouvidos e tratei de descer. Entrei no shopping para cortar caminho como sempre. Na saída, lá estava o símbolo indicando o banheiro mais próximo.
Deu vontade de entrar só pra saber se outra mensagem estaria a minha espera. Porém, me contive. Já estava anoitecendo e do jeito que as coisas iam, daqui a pouco estaria me perguntando sobre as origens da consciência, da religião e do universo. Não seria ruim, mas será que valeria a pena? Só sei que já havia feito outra pergunta.
Sacudi a cabeça, se não tudo iria começar de novo. Respirei e, então, cheguei a uma conclusão:
Não importa o porquê das mensagens desse tipo, elas me divertem e continuarei a lê-las e caçá-las. Em relação aos questionamentos, é melhor deixá-los para as aulas de sociologia e afins.
Acho que agora estava bom.Pensei que pararia por aí, mas uma última pergunta me surpreendeu.
“Não é engraçado o fato de tudo isso ter surgido por causa de uma simples mensagem na porta do banheiro?”

Um comentário:

J o t a Fuyller disse...

é engraçado siim, porque cada cooisa é motivo de fazer uma crônica.
Foi assim que comecei o meu blog , pensando : O que faz as pessoas a fazer um blog ? | e pensando nisso deu no que deu, eu fiz um blog (: