sábado, 3 de outubro de 2009

Garotos

Sabe aquela música Garotos do Leoni? É aquela que não tem mulher que não se sinta adorada após escutá-la?
Pois é, ela foi a grande inspiração para escrever o pequeno conto a seguir.

GAROTOS

Sob a grama verde do campus, lá estava debruçado sobre esta e observando as nuvens como de costume. O cabelo castanho claro repousava no seu rosto e os óculos de grau estavam ao seu lado. Gostava daquele lugar. O lugar perfeito para apenas pensar, nada poderia interrompe-lo. Fechou os olhos curtindo aquela tranqüilidade que tanto idolatrava e logo os abriu para deparar-se novamente com o azul do céu, mas deparou-se com outro azul.

“Ei, Léo!” A loira pertencente dos mais belos olhos azuis o chamou.

“Júlia...”.

Seus olhos e seus olhares

Milhares de tentações

Léo sentou-se para que ficassem lado a lado.

“O que faz aqui?” ele quis saber.

“Por que a pergunta? Não queria me ver?”.

“Não... não é isso...” o jovem não sabia o que responder, só tinha perguntado por perguntar... “Ah, mas que problema!” Ele terminou desconcertado.

Júlia abafou uma pequena risada com as mãos deixando Léo mais confuso.

“Bobo... só estava brincando!”.

Meninas são tão mulheres

Seus truques e confusões

Léo, mesmo sem entender direito, resolveu deixar aquilo de lado.

“E então, o que estava fazendo?” a loira perguntou.

“O de sempre...”.

“Ah claro, as nuvens...” ela concluiu.

O silêncio caiu entre os dois. Léo pôde ver que Júlia agora estava concentrada no céu. Júlia... Estava linda como sempre. O cabelo preso balançava no mesmo ritmo da brisa de outono que passava levemente dando-a um ar angelical. As belas formas se destacavam na posição estava sentada, tudo era perfeitamente delineado. Ela o encantava, não tinha como negar. Era sempre assim quando ele a via, ficava sempre perdido em seus desejos pela companheira de universidade.

Se espalham pelos pêlos

Boca e cabelo

Peitos e poses e apelo

Me agarram pelas pernas

Certas mulheres como você

Me levam sempre onde querem

“Léo...” ela o chamou novamente cortando o silêncio. “O que você gosta tanto nas nuvens?”.

“Bem... as nuvens. De certa forma, não sei como explicar, elas me passam paz que eu sempre quis.”

“Nossa... Nunca pensei escutar palavras como essas vindas da sua boca!” ela exclamou.

“O que você quer dizer com isso?”

Ela o encarou rapidamente e depois balançou a cabeça.

“Esquece...”. ela respondeu.

Como era enigmática. Ele, o melhor de seu curso; possuidor de um QI de 200, não conseguia decifrá-la. Perto dela ele não se sentia inteligente. Perto dela ele se sentia apenas um menino que mal sabia o bê-á-bá.

Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos como eu sempre tão espertos

Perto de uma mulher...

São só garotos

Júlia não demorou a notar que Léo a observava. Abriu um belo sorriso para ele. Aquele sorriso cheio de charme que só ela sabia dar. Estava se tornando irresistível.

Seus dentes e seus sorrisos

Mastigam meu corpo e juízo

Estava tomando conta dele. Não conseguia mais pensar nada além dela. Apenas olhar para ela fazia todo o seu pensamento lógico dissipar-se. O raciocínio já não trabalhava e naquele momento ele só queria uma coisa...

Queria beijá-la.

Devoram os meus sentidos

E eu já não me importo com isso

Sem ligar para as conseqüências futuras, Léo pousou das mãos na face da amada e com a outra, a puxou para mais perto de si. Estavam muito próximos e os olhos não paravam de se fitar. Por fim, os últimos foram se fechando já tomados pelo clima presente e assim, o beijo começou.

Então são mãos e braços

Beijos e abraços

Pele, barriga e seus laços

São armadilhas

E eu não sei o que faço

Aqui de palhaço

Seguindo seus passos

Após um bom tempo, aquele gesto tinha acabado. E Léo havia recobrado a consciência.

“Desculpe Júlia, eu não...” ele tentou se desculpar.

“Sabia que você não ia resistir!”.

Léo ficou surpreso com a afirmação. Aquilo tinha sido um jogo para ela? Mas uma vez não conseguiria saber...

“Vamos. Temos aula de estratégia de empresas agora.” A loira disse levantando e estendendo a mão para ele. “Depois disso, você podia me chamar para comer em algum lugar, sei lá...”

“Certo...” ele concordou calmamente e passando um dos braços pelos ombros da garota.

Garotas... sempre seriam problemáticas para garotos...

Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos como eu sempre tão espertos

Perto de uma mulher...

São só garotos


5 comentários:

Yoshi disse...

senti um certo desprezo seu com relação a garota..

primeiro chamando ela o tempo todo de "loira".. quase como quem a chama de vagabunda. não que as loiras sejam ahuahuaha é só que não é uma maneira delicada de se referir à única garota da história. se fossem as três charlie's angels beleza.. mas é uma só. é uma personagem principal. poderia falar "a garota" ou chamá-la pelo nome mesmo... que já nem lembro mais qual é.. o "Léo" eu lembro, pq vc repete a todo momento. passa a impressão que ela não é importante, mesmo sendo personagem principal. sacou?

outra coisa foi o final..
deu a entender que ela só tava zuando ele mesmo.. ou brincando com ele.. ainda mais quando ela fala que ELE deveria convidar ela para almoçar. do tipo "pague pra mim", "seja meu servo", "beije meus pés".
não que isso seja muito diferente de uma garota de verdade... geralmente colocamos características nossas ou de pessoas com quem convivemos nos nossos personagens... Fica a pergunta.. vc era o Léo ou a "loira"?

tubaina . disse...

selo pra você no meu blog :B

||Gustavo Arcanjo|| disse...

gostei das descrições Marin

mas concordo com o Yoshi

=x

Gisele Diniz disse...

Meu, você escreve super bem ! :D
Respondendo cometario atrasado. . Bem atrasado. . UHAUAHUA. .
Agora nem eu consigo mais ler, preciso d eoutras ferias, O castelo de Vidro é bem legal :D

Thyago disse...

e para as mulheres, sempre somos brinquedos, sempre somos aqueles que somos feitos de bobos, q são facilmente manipuláveis, que pode tornar a vida dele um paraíso e um inferno em menos de 30 segundos, que conseguem deixar eles sem jeito com apenas um sorriso...
e o q podemos fazer?
nada, nós, mesmo sem querer adimitir, gostamos disso. inconscientemente gostamos de sermos brinquedinhos, mesmo que por alguns momentos.

ah sim, ótimo conto como sempre marin ^^